Perdição

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Vivo perdendo as coisas. Perco as horas. Perco ônibus. Perco o celular. Perco a carteira. Perco peso. Perco os óculos. Perco o porta-lápis do burro do Shrek. Perco o juízo. Perco a vontade de escrever. Perco dinheiro do Banco Imobiliário. Perco amigos. Perco a agenda. Perco aspirinas. Perco tempo. Perco post-its. Perco a razão. Perco moedas. Perco aquela caneta superchique que ganhei de aniversário. Perco programas de TV. Perco entradas de teatro. Perco cabelo. Perco uma idéia revolucionária. Perco a paciência. Perco a palheta. Perco cartas de baralho. Perco dados de jogo de tabuleiro.

Daqui uns dias me perco e não me acho mais.

Luísa Maita

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O cenário musical brasileiro, ora saturado de — aproveitando o jargão — novas vozes da música popular, ora pairando entre o anonimato e a genialidade, abre, aos poucos, espaço para a voz de Luisa Maita.

Ela, paulistana nascida no extremo da zona sul da capital, recebe ajuda do marido, Rodrigo Campos, quando o assunto é composição. Como dizem: duas cabeças pensam melhor do que uma. Nesse caso, duas cabeças produzem um som original, com letras pautadas na crua realidade urbana.

“Moleque se mandou atrás da rapariga/ Deixou Formiga no controle da favela/ Mas o diabo é que a donzela era do lar/ Já tinha dois barrigudinhos com Anescar.” São versos como esse que se distanciam das letras burguesas da bossa nova carioca e trazem uma a realidade das ruas em clipes com uma qualidade melódica e harmônica impecável. A fotografia é um capítulo à parte.

Pra quem não for curtir a experiência ao vivo, dá pra ouvir um pouco em myspace.com/luisamaita. Recomendo.

Crítica à Responsabilidade Social Empresarial

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Muito se fala sobre Responsabilidade Social Empresarial. Governos, meios de comunicação e ativistas adquiriram, ao longo das últimas décadas, o hábito de cobrar de empresas a responsabilidade pelas conseqüências geradas a partir de suas atividades, sejam elas de caráter econômico, ambiental ou social.

Porém, devemos enxergar a RSE de maneira diferente ao atual modelo-padrão desenvolvido por institutos peritos no assunto, e questionar a eficiência do famoso título dados àquelas empresas que se destacam em questões sociais, o velho jargão de “empresa socialmente responsável”.

O fato é que as estratégias de gestão empresarial freqüentemente se contrapõem às estratégias de uma área específica da empresa voltada diretamente às questões socioambientais. Isso acontece exatamente porque as organizações ainda não têm um parâmetro para seguir quando se trata de RSE; e o que vemos é um crescimento da já ampla literatura sobre tais assuntos, institutos sem fins lucrativos e acadêmicos sempre prontos a colaborar com empresas preocupadas (por pressão externa, na maioria das vezes) com a comunidade. Mas, na prática, tudo de se limita a ações pontuais e sazonais, e não raramente, pura filantropia.

O problema-chave que as empresas enfrentam é geralmente de caráter tático, visto que a RSE é tida em muitas empresas apenas como parte do marketing e da publicidade envolvidos, e não como fator integrante da sua estratégia empresarial. Prova disso são os relatórios anuais das ações desenvolvidas pelas organizações, geralmente desconexos, pontuais, com expressivas considerações aos valores investidos, mas sem um levantamento dos benefícios em longo prazo dessas atividades, o que acaba causando dúvidas quanto às verdadeiras intenções da empresa que tenta demonstrar sua sensibilidade social, mas sem se preocupar com o verdadeiro efeito deste investimento.

Portanto, pode-se afirmar que a RSE ainda tem muito a se desenvolver e que hoje paira entre a filantropia e ações que agem em pontos de atrito entre a sociedade e empresas privadas, e, claro, muito longe de se chegar a um modelo sustentável ideal.

Mídias sociais não são “modinha”

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Pesquisas ad hoc, netnografias, monitoramento de marcas, gerenciamento de crises, estratégias de comunicação online – como a “pirâmide de engajamento” ou os 5Ps – são algumas das muitas alternativas que agências especializadas em mídias sociais podem utilizar para posicionar marcas no ambiente online. Mas é importante ressaltar que a análise das mídias não visa um fim para elas próprias. As redes se tornam o objeto de estudo para explicar fenômenos analisados coletivamente, ou seja, uma díade (interação entre duas pessoas) não deve ser observada isoladamente, tornando outros atores da ação (e interação) excludentes. Sendo assim, é correto afirmar que a estrutura da rede é afetada diretamente pelo seu conteúdo, tornando os dois elementos co-dependentes e, ainda, por estarem expostos à influência de outros usuários dessas mesmas redes, de certa forma, tornam-se multi-dependentes.

Dessa maneira, temos um conjunto de indivíduos produzindo conteúdo e impactando outros indivíduos (direta ou indiretamente), influenciando opiniões e criando movimentos em um mesmo sentido, uma vez que os interesses e objetivos são os mesmos, dando origem a grupos específicos de temática, linguagem e dinâmica próprias.

Esses grupos, organizados no ambiente virtual, são as centenas de redes sociais disponíveis para qualquer usuário com acesso à internet. Cada rede possui características próprias, que tendem a se tornar mais fortes caso haja maior engajamento dos membros. Essa organização sócio-virtual se concentra em espaços informais e vai de encontro aos valores e interesses mútuos. Se fosse preciso resumir todo universo das mídias sociais em uma palavra, seria “relacionamento”.

Para as empresas, o cerne da questão é conseguir fazer parte desses relacionamentos. E mais: criar um movimento e interação seguindo interesses corporativos, de acordo com um plano de comunicação maior. É por isso que as mídias sociais não devem ser pensadas isoladamente – elas são apenas um braço de um objetivo de comunicação mais amplo, que envolve outras mídias (de apoio, espontâneas, patrocinadas…). Dessa maneira, não é viável, do ponto de vista de branding, uma marca investir nas mídias sociais para atender a uma latente necessidade e exigência do mercado (que pode ser muito menor do que parece) enquanto outros pontos do seu plano de comunicação e gestão corporativa não estiverem resolvidos, como o atendimento de SAC, por exemplo.

O mesmo vale para indústrias ou segmentos que não atuam diretamente com o varejo. Nesses casos, cabe a pergunta: o público dessas empresas está preparado (se é que ele está presente no ambiente online) para participar dessas redes de relacionamento virtuais? Vale a ressalva: o público que a empresa se relaciona não é necessária e unicamente formado por seus clientes. As redes sociais são abertas e a marca deve se relacionar com todos seus stakeholders. E mais: ela deve estar preparada para isso.

Por fim, é possível afirmar que as mídias sociais não são uma modinha passageira, mas que vieram pra ficar. A tendência é que esses relacionamentos online ganhem cada vez mais espaço e sejam tratados com maior seriedade e menos euforia. Sua marca está disposta (e preparada) para participar desses diálogos?

Felipe Attílio é graduado em Comunicação Social e pós-graduado em Marketing Organizacional pela Unicamp. Atua como especialista em comunicação digital e social media na Agência Enken, em São Paulo.

I can deal my own disasters, right?

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I’ve been doing this since 12 years ago, não é agora que algo tão sem importância vai ter importância. As coisas só tem o valor que damos a elas. Isso é fato, mas em geral é algo que independe da nossa capacidade de vontade. Metafisicamente falando, digo.

The feeling is almost like when a guy who you met at a party doesn’t call you back. It sucks! Em geral me sinto mal, sozinho e whatever! Mas o melhor (?) é quando o sentimento de pena que sinto por mim mesmo é revertido em repulsa (asco mesmo) por quem me causou mal. And it’s happening again. Parei com os lamentos, queixumes, reclamações e choramingos e passei a administrar o sentimento como deve ser. Em uma via de mão dupla, me senti mal no começo – por mim; agora sinto uma mistura de repulsa e pena – por ele.

At last, I’ve noticed that I don’t care that much about this guy. Seriously. I even don’t have reasons for that. Ao contrário do que acontece quando você conhece alguém profundamente – e as consequências são maiores e mais difíceis de lidar -, nesse caso a coisa foi superficial e a ferida cicatrizou rápido. I was feeling tired, lonely, depressed and I put all my expectations in a possible pseudo-relationship that never happened (for obvious reasons!). All this in one night and while I was drunk. And, ok, I admit: I feel really stupid now.

So, as the title says, I can deal my own disasters. This time I recovered quickly – it took only a day and a night. I’m getting stronger (at least I want to believe to).

prefiro e gosto

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prefiro uma gargalhada envergonhada a um sorriso forçado
gosto dos desajustados, dos rebeldes e dos errados
prefiro os guarda-chuvas coloridos aos pretos
gosto de bares e restaurantes à meia-luz
prefiro abajures às lâmpadas de teto
gosto de café forte sem açúcar
prefiro cachecol e chapéu
gosto mais de jazz
prefiro azul
gosto
pr
g

À sombra da noite

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Era mais uma noite fria de inverno paulistano. O vento forte lhe cortava a face como se mil agulhas preenchessem a neblina densa, quase palpável. Ele caminhava a passos largos por uma mal cuidada calçada tipicamente paulista — com anagramas formando o mapa do Estado.

O cachecol quase lhe tampava os ouvidos e a gola do casaco pesado protegiam seu pescoço do vento gélido e úmido. O barulho dos seus passos por entre folhas secas denunciavam uma multidão caminhando, embora existisse apenas uma viv’alma perambulando pela noite.

Os sons se misturavam. Ele tinha a impressão de que estava sendo seguido. Em um movimento rápido, olhou para trás e encontrou apenas uma avenida vazia, com alguns carros estacionados. Continuou caminhando. Mas a sensação estranha não o abandonava. Começou a andar mais rápido, próximo ao meio-fio, na esperança de chegar logo ao destino. O vento aumentava. A neblina havia se mudado em uma garoa fina, que, em poucos instantes, lhe ensopara.

“Merda”, disse em voz alta, quando notou uma somba ao seu lado. Era de alguém caminhando muito próximo, mas ele não teve coragem de olhar. Estava ficando apavorado. Começou a correr, desviando de obstáculos formados por lixeiras, hidrantes e cabines telefônicas de estilo inglês. Todo o cenário era típico de um filme de terror. E o medo também.

Depois de alguns segundos que pareceram horas, chegou ao destino. Apertou o interfone com insistência e o porteiro sonolento abriu o portão sem perceber o pânico nos olhos do morador. Ao ouvir o barulho do portão eletrônico fechando às suas costas, teve, enfim, coragem de olhar pra trás e contemplar o completo vazio acompanhado da sua própria sombra refletida no chão.

Odeio-te

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Odeio o jeito que você fala comigo;
odeio seu humor,
suas piadas;
odeio suas roupas
e como você corta o cabelo;
odeio seu perfume;
odeio sua beleza;
odeio o toque do seu celular;
odeio sua voz
e as suas músicas.
Odeio como você me olha –
com esse olhar arrogante;
odeio quando te pergunto
e você não responde;
odeio quando não pensa em mim,
ou quando penso demais em você;
odeio o jeito que você termina uma conversa ao telefone,
ou quando não me liga;
odeio ter que te esperar
eternamente, às vezes.
Odeio quando não me quer,
ou quando te quero demais;
odeio a tua felicidade,
por saber que não se estende a mim –
ou não me inclui,
ou não me cabe.
Odeio saber que a sua vida continua
separada da minha;
odeio ter que te perder,
e te ganhar a cada dia;
odeio chorar por você,
e saber que você não chora por mim.
Mas o que eu mais odeio
é não poder te odiar.

Myrian Rios: burra, desinformada ou preconceituosa?

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As recentes declarações de Myrian Rios contra a PEC 23/2007, a qual acrescenta a orientação sexual às formas de discriminação puníveis no Estado, geraram uma grande polêmica na internet. Em um discurso confuso e desconexo, proferido na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, a ex-atriz cometeu uma série de afirmações absurdas. Assista:

Myrian ataca gays e lésbicas em de forma descontrolada. Visivelmente irritada e totalmente carente de argumentos, a deputada replica informações quebradas e faz afirmações absurdas, relacionando diretamente homossexualidade com pedofilia.

Em uma interpretação totalmente incoerente da PEC 23 (o que é inaceitável, já que estamos falando de uma deputada estadual), a ex-atriz diz que, com a aprovação da emenda, ela não poderá demitir um motorista homossexual ou uma babá lésbica por causa das suas respectivas orientações sexuais. Mais: ela afirma, em ambos os casos, que se seus fictícios funcionários quiserem cometer atos de violência sexual contra seus filhos, ela não poderá fazer nada porque a PEC não permite que tais pessoas sofram prejuízos em função da sua orientação sexual.

A confusão entre homossexualidade e pedofilia, então, perdura durante os onze minutos do vídeo. Myrian chega a fazer declarações, como “[quando] eu descobrir que o motorista é homossexual e poderia, de uma maneira ou de outra, tentar bolinar o meu filho, eu não sei. De repente, poderia partir para uma pedofilia com os meninos”.

Ora, será que um motorista heterossexual também não poderia cometer violência sexual contra seus filhos? A pedofilia é unicamente restrita aos homossexuais? Pesquisas científicas recentes comprovam que a maior parte dos atos de violência sexual contra menores são praticados por pais ou tutores legais, por sua vez, heterossexuais, mas provavelmente isso ela também não sabe. No alto da sua completa ignorância, Myrian deixa claro que não sabe a diferença entre orientação e distúrbio sexual.

Mas, depois de toda repercussão, a deputada logo se retratou. E em uma nota publicada pela sua assessoria de imprensa disse que “não é bem assim”, que foi mal interpretada, que respeita todos os seres humanos e todo esse blá-blá-blá típico que sempre cai na mídia depois que algum político (babaca) fala merda na TV. Voltar atrás, actually, é um puro ato de falta de coragem. Ora, deputada, assuma sua posição de uma vez. Como disse brilhantemente Walcyr Carrasco no seu blog, ela não sabe nem criar um discurso coerente.

Em resumo, não sei responder à pergunta do título dessa postagem. Pra mim, Myrian Rios não passa de mais uma subcelebridade decadente, ex-atriz, ex-esposa do Roberto Carlos, que já fez de tudo na vida – inclusive ensaio sensual, ops! – e que hoje se engaja em alguma comunidade religiosa pra ficar cagando regra e apontando o dedo pra todo mundo, com um ar arrogante, se portando como uma defensora da moral e dos bons costumes.

Poupe-nos, Myrian.

Por que não gosto da Parada Gay

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First of all: o título engraçadinho era só pra você começar a ler o post, mas já vou logo avisando que “não gostar” da Parada Gay é meio forçar a barra. O fato é: não gosto do nome, “Parada do Orgulho LGBT”.

Primeiro (atirem-me pedras), mas não acho que alguém deve ter “orgulho de ser gay”. Ser homossexual, heterossexual, bissexual (e variações) é uma condição que não nos cabe escolher. É o mesmo que ter orgulho de ser negro, branco, moreno, loiro, ruivo… ninguém escolhe ser nada disso. Somos o que somos e pronto.

Devemos ter orgulho das nossas conquistas, do nosso caráter, das nossas vitórias e tudo que nos cabe responsabilidade. Tudo que vai além disso é mero acaso e não depende do nosso esforço ou vontade. Logo, também não nos cabe ter orgulho. Fechou?

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